A Educação OnLife e o Exocérebro Algorítmico
No contexto da Globalização, a distinção entre online e offline nas dimensões da vida humana tornou-se obsoleta. A entrada da Inteligência Artificial (IA) - a máquina -, nas nossas vidas, não ocorre como uma mera sobreposição técnica, mas como uma reconfiguração do habitar.
Habitamos a Infoesfera (Floridi, 2015) e em 2026 a IA Multimodal não deve ser vista como uma ferramenta, mas como um outro ator (não humano) estruturante do ecossistema educativo. Como defende Ronaldo Mota (2023), a IA superou a cognição baseada na retenção de dados (cognição linear) e por isso manter os modelos educativos tradicionais transmissivos é um anacronismo pedagógico; a memorização de factos perdeu o seu valor de mercado e social numa era de acesso instantâneo e síntese algorítmica. Se a máquina fornece as respostas, então a função da educação global desloca-se para a metacognição. Isto é, o foco deve ser o pensamento crítico, a curadoria ética da informação e a capacidade de orientar sistemas de inteligência sintética. A metacognição humana é assim um "exocérebro" - o diferenciador humano, na dialética com a máquina.
Schlemmer & Moreira (2022) nas Arquiteturas Híbridas (OnLife), propõem que a educação não pode ser reativa ou proibitiva. A educação exige modelos híbridos e flexíveis que integrem o digital como força ambiental. Bloquear a IA na escola é ignorar a cultura digital em que os sujeitos globais já estão imersos.
O desafio da educação global
contemporânea é "construir a jangada enquanto nadamos". Precisamos de
educadores com coragem para navegar na incerteza cultivando uma inteligência
humana aumentada - “um exocérebro”. Até por que, se a resposta é automatizada, a
escola deve finalmente focar-se em ensinar a fazer as perguntas certas.
Este texto que apresento foi
construído em diálogo com uma IA. Se não conseguimos distinguir onde termina o
meu pensamento e onde começa a síntese algorítmica, como podem as nossas
políticas educativas continuar a tratar o biológico e o tecnológico como esferas
separadas?
| Lúcia Lebre (2026 ). Exocérebro: A fusão entre cognição humana e inteligência artificial na Educação OnLife [Imagem gerada com recurso a inteligência artificial]. |
Referências
Floridi, L. (Ed.). (2015). The onlife
manifesto: Being human in a hyperconnected era. Springer Open.
https://doi.org/10.1007/978-3-319-04093-6
Plataforma A. (2023, 27 de
abril). Webinar: Dia da Educação | Inteligência artificial no Ensino Superior
[Vídeo]. YouTube. https://www.youtube.com/live/wZtIlRoqioQ
Schlemmer, E., & Moreira, J.
A. (2022). Educação digital em rede: Princípios para o design pedagógico em
tempos de incerteza. Edições
Universitárias Lusófonas
Floridi, L. (Ed.). (2015). The onlife
manifesto: Being human in a hyperconnected era. Springer.
https://doi.org/10.1007/978-3-319-04093-6
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